Mensagem de boas vindas


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

PRETENSÕES

138
PRETENSÕES
Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.
Paulo (1ª Epístola aos Coríntios, 3: 6.)
A igreja de Corinto estava cheia de alegações dos discípulos inquietos.
Certos componentes da instituição imprimiam maior valor aos esforços de Paulo, enquanto outros conferiam privilégios de edificação a Apolo.
O advogado dos gentios foi divinamente inspirado, comentando o assunto em sua carta.
Por que pretensões individuais numa obra da qual somos todos beneficiários do mesmo Senhor?
Na atualidade, é louvável o exame da recomendação de Paulo aos Coríntios, porqüanto já não são os usufrutuários da organização cristã que se rejubilam pela recepção das bênçãos do Evangelho através desse ou daquele dos trabalhadores do Cristo, mas os operários da causa que, por vezes, chegam ao campo de serviço exibindo-se por vultos destacados dessa ou daquela obra do bem.
A certeza de que “toda boa dádiva vem de Deus” constitui excelente exercício para os trabalhos comuns.
É interessante observar como está sempre disposto o homem a se apropriar de circunstâncias que o elevem no alheio conceito com facilidade.
Sempre inclinado a destacar-se nos círculos do bem que ainda lhe não pertence de modo substancial, raramente assume a paternidade dos erros que comete. Essa é uma das singulares contradições da criatura.
Não te esqueças. O serviço é de todos. Uns plantam, outros adubam. Vive contente no setor de trabalho confiado às tuas mãos ou à tua inteligência e serve sem pretensões, porque o homem prepara a terra e organiza a semeadura, por misericórdia da Providência, mas é Deus quem põe as flores nas frondes e concede os frutos, segundo o merecimento.
MINHA REFLEXÃO
Esse problema tão bem administrado por Paulo, nos lembra que também como espíritas devemos ter cuidados para não nos separar por causa das dissenções internas ao movimento.
Faz – nos lembrar, também, que, por causa das dissenções, os cristãos se dividiram em várias Igrejas. Cada “facção cristã” passou a pretender a interpretação mais ajuizada do Evangelho do Cristo.
Então, passou a valer a pretensão que fora dessa ou daquela igreja não haveria salvação. A. Kardec faz uma análise sobre esta questão no capítulo XV – Fora da Caridade não há Salvação de O Evangelho Segundo o Espiritismo:
A máxima - Fora da caridade não há salvação consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com o dogma - Fora da Igreja não há salvação, anatematizam-se e se perseguem reciprocamente, vivem como inimigos; o pai não pede pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que mutuamente se consideram condenados sem remissão. É, pois, um dogma essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.
Que sejamos cristãos, isso basta. Que respeitemos os credos alheios e comunguemos com os cristãos que não são espíritas, pois são nossos irmãos em Cristo, por graça do Nosso Senhor. Que sejamos vilipendiados por alguns irmãos que ainda resistem à ideia reencarnacionista. Contudo, não temos o direito de rechaçá-los por ainda agirem assim. Tudo no seu tempo.
Sejamos cristãos. Sejamos caridosos.
Que Deus nos ajude.
Domício Maciel.

O BANQUETE DOS PUBLICANOS

137
O BANQUETE DOS PUBLICANOS
E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?
Mateus, 9: 11
De maneira geral, a comunidade cristã, em seus diversos setores, ainda não percebeu toda a significação do banquete do Mestre, entre publicanos e pecadores.
Não só a última ceia com os discípulos mais íntimos se revestiu de singular importância. Nessa reunião de Jerusalém, ocorrida na Páscoa, revela-nos Jesus o caráter sublime de suas relações com os amigos de apostolado. Trata-se de ágape íntimo e familiar, solenizando despedida afetuosa e divina lição ao mesmo tempo.
No entanto, é necessário recordar que o Mestre atendia a esse círculo em derradeiro lugar, porqüanto já se havia banqueteado carinhosamente com os publicanos e pecadores. Partilhava a ceia com os discípulos, num dia de alta vibração religiosa, mas comungara o júbilo daqueles que viviam a distância da fé, reunindo-os, generoso, e conferindo-lhes os mesmos bens nascidos de seu amor.
O banquete dos publicanos tem especial significado na história do Cristianismo. Demonstra que o Senhor abraça a todos os que desejem a excelência de sua alimentação espiritual nos trabalhos de sua vinha, e que não só nas ocasiões de fé permanece presente entre os que o amam; em qualquer tempo e situação, está pronto a atender as almas que o buscam. O banquete dos pecadores foi oferecido antes da ceia aos discípulos. E não nos esqueçamos de que a mesa divina prossegue em sublime serviço. Resta aos comensais o aproveitamento da concessão.
MINHA REFLEXÃO
O Mestre veio para todos, particularmente para os “doentes”. Veio também para os pagãos. Amou indistintamente, incondicionalmente e em qualquer dia e hora. Amou aos amigos e aqueles que o destrataram e o crucificaram. Ele tinha plena consciência do chão onde pisava, pois nos deixou o Sermão do Monte.
Ele não se prendia às manifestações exteriores e nem seguia a tradição mosaica (lavar as mãos – como motivo religioso, curar no sábado etc), pois só o que tinha de moral deixado por Moisés (os Dez Mandamentos), ele conservou. Assim, não rechaçava ninguém que o procurava, pois sabia o que vinha no coração de cada pessoa que o buscava. Usando desse conhecimento, Ele se saiu bem em todas as provocações que pretendiam desmoralizá-lo.
O episódio do banquete com os publicanos foi providencial, pois serviu de recurso para ministrar uma lição. Emmanuel nos lembra que não devemos esquecer que “a mesa divina prossegue em sublime serviço. Resta aos comensais o aproveitamento da concessão”. Isto é um convite, mas devemos ter em mente que devemos estar preparados para o banquete divino, pois
não basta a ninguém ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem sentar-se à mesa para tomar parte no banquete celestial. É preciso, antes de tudo e sob condição expressa, estar revestido da túnica nupcial, isto é, ter puro o coração e cumprir a lei segundo o espírito. A. Kardec[1]
O banquete então, seria um reabastecer de energias divinas para a continuação do trabalho caritativo em todos os seus matizes (benevolência, indulgência e perdão das ofensas).
Que sejamos dignos do banquete espiritual reservado aos justos.
Que Deus nos ajude.
Domício Maciel.



[1] Comentando a parábola do festim de bodas (Mateus, 22: 1 a 14). In O Evangelho Segundo o Espiritismo, capitulo XVIII.

COISAS TERRESTRES E CELESTIAIS

136
COISAS TERRESTRES E CELESTIAIS
Se vos tenho falado de coisas terrestres, e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais?
Jesus (João, 3: 12).
No intercâmbio com o mundo espiritual, é frequente a reclamação de certos estudiosos, relativamente à ausência de informações das entidades comunicantes, no que se refere às particularidades alusivas às atividades em que se movimentam.
Por que não se fazem mais explícitos os desencarnados quanto ao novo gênero de vida a que foram chamados? Como serão suas cidades, suas casas, seus processos de relações comuns? Através de que meios se organizam hierarquicamente? Terão governos nos moldes terrestres?
Indagam outros, relativamente às razões pelas quais os cientistas libertos do plano físico não voltam aos antigos centros de pesquisas e realizações, vulgarizando métodos de cura para as chamadas moléstias incuráveis ou revelando invenções novas que acelerem o progresso mundial.
São esses os argumentos apressados da preguiça humana.
Se os Espíritos comunicantes têm tratado quase que somente do material existente em torno das próprias criaturas terrenas, num curso metódico de introdução a tarefas mais altas e ainda não puderam ser integralmente ouvidos, que viria a acontecer se olvidassem compromissos graves, dando-se ao gosto de comentários prematuros?
É necessário compreenda o homem que Deus concede os auxílios; entretanto, cada Espírito é obrigado a talhar a própria glória.
A grande tarefa do mundo espiritual, em seu mecanismo de relações com os homens encarnados, não é a de trazer conhecimentos sensacionais e extemporâneos, mas a de ensinar os homens a ler os sinais divinos que a vida terrestre contém em si mesma, iluminando-lhes a marcha para a espiritualidade superior.
MINHA REFLEXÃO
A Doutrina dos Espíritos nos trouxe revelações sobre a pluralidade das existências, a pluralidade dos mundos habitados, sobre a vida espírita (a vida do Espírito na erraticidade), sobre Deus e suas Leis, justas e sábias, além da comunicabilidade dos Espíritos com os encarnados.
No tocante à comunicabilidade dos Espíritos, foi graças a ela que a Doutrina foi revelada. Os Espíritos sempre se comunicaram, mas as comunicações sempre estiveram, até o Espiritismo nos ser revelado, no campo do sobrenatural. Depois do ano de 1857, a comunicabilidade passou a ser algo estudado com seriedade e, a partir do Livro dos Médiuns, materializou-se um método sério de conversação com os Espíritos. Segundo A. Kardec,
Os espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de Sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade. In: Prolegômenos de O Livro dos Espíritos.
Então, os Espíritos Superiores receberam a missão de nos instruir e só com esse intuito se manifestam sobre as coisas que, de fato, nos esclarecem, sem, contudo, tirar de nós, humanos, o mérito da pesquisa. Isto é,
Os nossos Espíritos protetores podem, em muitas circunstâncias, indicar-nos o melhor caminho, sem, entretanto, nos conduzirem pela mão, porque, se assim fizessem, perderíamos o mérito da iniciativa e não ousaríamos dar um passo sem a eles recorrermos, com prejuízo do nosso aperfeiçoamento. Para progredir, precisa o homem, muitas vezes, adquirir experiência à sua própria custa. Por isso é que os Espíritos ponderados nos aconselham, mas quase sempre nos deixam entregues às nossas próprias forças, como faz o educador hábil, com seus alunos. Nas circunstâncias ordinárias da vida, eles nos aconselham pela inspiração, deixando-nos assim todo o mérito do bem que façamos, como toda a responsabilidade do mal que pratiquemos. Allan Kardec In: O Livro dos Médiuns Cap. XXVI – Perguntas que se podem fazer aos Espíritos.
No tocante às pesquisas científicas, A. Kardec quando perguntou aos Espíritos da Codificação se Eles nos guiavam em nossas pesquisas científica e descobertas, eles responderam:
A ciência é obra do gênio; só pelo trabalho deve ser adquirida, pois só pelo trabalho é que o homem se adianta no seu caminho. Que mérito teria ele, se não lhe fosse preciso mais do que interrogar os Espíritos para saber tudo? A esse preço, qualquer imbecil poderia tornar-se sábio. O mesmo se dá com as invenções e descobertas que interessam à indústria. Há ainda uma outra consideração e é que cada coisa tem que vir a seu tempo e quando as ideias estão maduras para a receber. Se o homem dispusesse desse poder, subverteria a ordem das coisas, fazendo que os frutos brotassem antes da estação própria.
In: O Livro dos Médiuns Cap. XXVI – Perguntas que se podem fazer aos  Espíritos.
Então, devemos ter clareza de nossa parte na nossa evolução espiritual, sem, contudo, abrir mão da ajuda que advém do plano espiritual que nos assiste nos inspirando, aproveitando o que temos de melhor. Somos assim, colaboradores não só de nossa caminhada, mas também a de nossos semelhantes.
Que Deus nos ajude.
Domício Maciel.

O OURO INTRANSFERÍVEL

135
O OURO INTRANSFERÍVEL
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças.
Apocalipse (8: 18).
Sempre vulgares as aquisições de custo fácil.
Nada difícil ao homem comum perseguir as possibilidades financeiras aliciar interesses mesquinhos, inventar mil recursos para atingir os fins inferiores; entretanto, os que adotam semelhante norma desconhecem o caráter sagrado do mais humilde patrimônio que lhes vai às mãos, abusando da posse para sentirem-se, depois, mais empobrecidos que nunca.
A recomendação divina é suficientemente clara.
Para que um homem se enriqueça, deve adquirir o ouro provado no fogo, fortuna essa que procede das mãos generosas do Altíssimo.
Somente essa riqueza espiritual, adquirida nas situações de trabalho árduo, de profunda compreensão, de vitória sobre si mesmo, de esforço incessante, conferirá ao Espírito a posição de ascendência legítima, de bem-estar permanente, além das transformações impostas pelo sepulcro, e apenas levará a efeito tão elevada conquista após entregar-se totalmente ao Pai para a grandeza do Divino Serviço.
O homem mobilizado pelo homem poderá, sem dúvida, receber volumosos salários. Convenhamos, porém, que esses bens se transformam sempre ou algum dia serão transferidos a outrem pelo detentor provisório. No entanto, quando o trabalhador gasta suas possibilidades nos trabalhos do bem, com esquecimento do egoísmo, desinteressado de si próprio, colocando acima dos caprichos da personalidade os objetivos da Obra de Deus, lutando, amando, sofrendo e entregando-se a Ele, adquire, indiscutivelmente, o ouro eterno e intransferível.
MINHA REFLEXÃO
Há duas riquezas que o homem pode construir: a material e a espiritual. A primeira, pode ser fruto do uso da inteligência voltada para o bem e desenvolvimento da sociedade. Não há nenhum problema em obtê-la, pois, o trabalho gera trabalho, facultando oportunidades a outros de construírem a sua. Mas pode ser também fruto da desonestidade. Em vez de ser um móvel de evolução, pode ser de estagnação espiritual.
A segunda pode ser consequência da primeira se esta for originária de uma mente produtiva e altruísta e, assim, fiel ao Senhor. A administração de uma riqueza material qualifica seu administrador em mal ou bom servidor. Dessa forma, o detentor da posse, cumpre a orientação do Mestre ao nos ensinar que “ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se prenderá a um e desprezará o outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon” (Lucas, 16: 13).[1]
A riqueza material é uma prova de abnegação e foco na evolução espiritual. Ser rico, materialmente falando, não é uma transgressão à Lei. Mas essa riqueza, muitas vezes obtida pelo derramamento do suor e dispêndio de energias intelectuais, não pertence ao usufrutuário, pois ele terá que deixá-la quando voltar ao plano espiritual. O Mestre nos contou uma parábola, da qual referenciamos só o seu final[2], ao ser exortado por um homem que reclamava parte da herança deixada pelo pai. Mas, antes, respondeu ao consulente: “Tende o cuidado de preservar-vos de toda a avareza, seja qual for a abundância em que o homem se encontre, sua vida não depende dos bens que ele possua (Lucas, 12: 15).
Desse modo, a riqueza verdadeira, e que não é transferível, é aquela resultante do cumprimento dos desígnios de Deus, na forma da Lei, que está gravada na consciência do Espírito.[3]
Que sejamos servos fiéis e bons usufrutuários dos bens que Deus nos confere para evoluirmos, ou seja, nos transformarmos em ricos do verdadeiro “ouro eterno e intransferível”, conforme nos aponta Emmanuel.
Que Deus nos ajude.
Domício Maciel.



[1] Vide interpretação em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVI.
[2]  (...) “Que insensato és! Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma; para que servirá o que acumulaste? É o que acontece àquele que acumula tesouros para si próprio e que não é rico diante de Deus. (Lucas, 12: 13 a 21.)
[3] O Livro dos Espíritos, questão nº 621. Onde está escrita a lei de Deus? “Na consciência”.